quarta-feira, 10 de setembro de 2014







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LEGEND = ICON

IN CONVERSATION WITH:

JORGE CAMPOS



"...As for the rest I have upcoming pieces on Vertov, Eisenstein, Leni Riefenstahl e Joris Ivens. And another edition of Ciclo de Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginado (IRI). It will be it’s 11th."



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Photography by: CINDA MIRANDA (www.cindamiranda.com Vienna


Guests: JORGE CAMPOS - Porto * Interview by: LUIZ CARVALHO - Lisbon *

Translation by: RITA BARROS - New York







When, where, were you born and where do you live?

I was born in Oporto. I’m 66 years old. When I was four I went to Mozambique. I returned to Oporto forty years ago. I like the city but here and there I have to leave. I need to breathe.


In which way did your childhood influence what you enjoy doing the most?

I got used to large spaces and beaches with no end in sight. Also wanting to know about people and their differences. I went to elementary school in places with exotic names like Mambone, Zavala and later Nampula. My father was a doctor. He moved the family from place to place. All this had consequences: the obsession of the registration; the will to know; the need to imagine.





When did you decide to follow your vocation?

I still don’t know exactly which is my vocation. I started college in Johannesburg at the time of the counter-culture and the anti-colonial fight. I attended extremely boring classes on economy and business administration when what I really liked were girls, politics, jazz and movies. Besides Elvis, of course. Then I was placed in the colonial war in a place called Furancungo in the district of Tete. At the same time I lived the tragedy of the death of my parents. When I returned to Oporto, in late 1973, I had the opportunity of becoming a journalist - something that I believed in – and there was the need to fight the existing censorship. I didn’t decide anything. It just happened.


Is your success more based on your work or on intuition?


What is success? The recognition of one’s work? To be famous? To be more or less wanted? If that is what it is, then I had moments when that happened.  Almost 30 years ago I was invited to teach at graduate level. I have a PhD in Communication Science, I was part of conferences, the Academy and the TV gave me awards. My name was printed on the newspapers. But I did it all in a playful way with many side turns. Is it a flaw? Character for certain. Was it hard? Yes. Sometimes things work out others not so much. Like in everything else.







Who influenced you on your vocation?


It depends. As a journalist: Edward R. Murrow, Walter Cronkite, and Dan Rather. They are three icons of American TV who anchored one after the other the CBS Evening News. They had a common denominator: when they left they acknowledged that they had through the years misled the public. For professional, academic and citizenship reasons, I thought a lot about the media system and I came to the simple conclusion that journalism is a metaphorical activity. But I like the opinion pieces and reporting.  As far as filmmakers, I don’t know anybody with the creative energy of Eisenstein although my list of favourites is quite big with a special place for documentaries. As a teacher I try to raise the curiosity of my students as well as satisfy my own. The relationship with the students it’s a vital experience. I was a teacher for the first time in Lourenço Marques when I was 21. Whatever the context I will teach until the end of my days. For now I am happy at Institulo Politecnico do Porto.







How do you define your work?

I don’t define. I spend my time inventing things. The only thing I know is that I need to put things in perspective. Otherwise I cannot interpret the world.


What did you bring new to your area of expertise?

Frankly it’s not up to me to answer. The only thing I am sure is that I try to act as a citizen. As such, for me the know-how is as important as the knowledge to inform.






Is Portugal a good place for your work?

Portugal suffers from melancholy. The ruling elite sees everything as a commodity and business opportunity. It nullified the idea of community and public service. Television, on the whole, functions as a systemic advertising device. While the talking heads are politicians and the journalists are the go-between. While the public school is dismantled, the teachers are mistreated. While the cultural policies give way to mere entertainment, cinema either shrinks or goes the easy way. For all these reasons to talk about conditions of work it doesn’t make sense. Incidentally, Europe, in general, also suffers from melancholy, a sickness that results from the resignation and the collapse of thought. What makes sense is to build trenches.


How do you look at the future in professional terms?

Exactly, occupying trenches. With ideas, thoughts and memory. Without memory the present is scattered and the future unfeasible.


How do you integrate your private and business life?

They are naturally connected. I favour the principle of pleasure. As the saying goes: Who runs for pleasure never tires. Or, it’s all the same fight.






Right now I am working on two new documentaries. One is a family story with my uncle Carlos Costa, who is 85, as the central character. My uncle was a communist militant since the age of 15, he was jailed in all the prisons of the country and before democracy when he was not in prison he was underground. But this film is not an eulogy. Neither he nor I have the temper for it. Obviously we talk about politics but we also talk about people’s character, ethics and memory, achievements and disappointments, History and affections. The other documentary is about a good friend, a great writer who I admire enormously, Mario Claudio. It’s not a monograph but a journey in search of a man whose background is inseparable from the search for himself. At the center of this search is, of course, literature. As for the rest I have upcoming pieces on Vertov, Eisenstein, Leni Riefenstahl e Joris Ivens. And another edition of Ciclo de Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginado (IRI). It will be it’s 11th.



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Onde nasceu, quando e onde vive?


Nasci no Porto. Tenho 66 anos. Aos quatro fui para Moçambique. Regressei ao Porto há quarenta anos. Gosto da cidade, mas volta e meia tenho de sair. Preciso de respirar.



A infância influencia de que forma o que hoje mais gosta de fazer?


Ganhei o vício dos grandes espaços e das praias a perder de vista. Também de querer saber das pessoas e das diferenças delas. Fiz a escola primária em lugares com nomes exóticos como Mambone, Zavala e, mais tarde, Nampula. O meu pai era médico. Andava com a família de um lado para o outro. Tudo isso teve consequências: a mania do registo; a vontade de saber; a necessidade de imaginar.


Quando decidiu seguir em frente para esta sua vocação?



Continuo sem saber exactamente qual a minha vocação. Entrei para a universidade em Joanesburgo em tempos de contra-cultura e de luta anti-colonial. Andei em cursos chatíssimos de Economia e de Administração de Empresas quando do que eu gostava era de miúdas, política, jazz e cinema. Além do Elvis, claro. Depois fiz a guerra colonial num lugar chamado Furancungo, no distrito de Tete. Em simultâneo vivi a tragédia da perda dos meus pais. Quando regressei ao Porto, em finais de 1973, surgiu a possibilidade de fazer jornalismo, algo em que, na altura, até porque havia censura e era preciso lutar contra ela, eu acreditava. Mas, não decidi nada. Aconteceu.




O seu sucesso é mais assente no trabalho ou na intuição?

O que é o sucesso? O trabalho reconhecido? Ganhar notoriedade? Ser mais ou menos requisitado? Se é, houve alturas em que tudo isso se cruzou comigo. Há quase 30 anos fui convidado para leccionar no ensino superior, fiz um doutoramento em Ciências da Comunicação, participei em conferências, ganhei prémios na Academia e na televisão, o meu nome apareceu nos jornais. Mas fiz tudo de uma forma lúdica, digamos assim, e com muitas derivas. Será defeito? Feitio é, certamente. Deu trabalho? Sim. Umas vezes as coisas correram bem, outras nem tanto. Como em tudo. 




Quem o influenciou na sua vocação?

Depende. Enquanto jornalista, Edward R. Murrow, Walter Kronkite e Dan Rather. São três ícones da televisão americana, que se sucederam no jornal da noite da CBS, com um denominador comum: na hora de sair, no essencial, todos disseram que tinham andado anos a fio a enganar as pessoas. Por razões profissionais, académicas e de cidadania fartei-me de andar às voltas com o sistema mediático e cheguei a uma conclusão simples: o jornalismo é uma actividade metafórica. Mas eu gosto da crónica e da reportagem. Enquanto cineasta não conheço ninguém com energia criadora comparável à de Eisenstein, se bem que a minha lista de favoritos seja extensíssima, com lugar de destaque para o cinema documental. Como professor limito-me a tentar suscitar curiosidade e a procurar satisfazer a minha própria curiosidade. A relação com os alunos é uma experiência vital. Fui professor pela primeira vez com 21 anos, em Lourenço Marques. Podendo, seja qual for o contexto, darei aulas até ao fim da vida. Por agora, sinto-me bem no Instituto Politécnico do Porto.

Como define o seu trabalho?

Não defino. Passo o tempo a inventar coisas. De ciência certa sei apenas que tenho necessidade de pôr tudo em relação. De outro modo, não consigo interpretar o mundo.



Que contributos novos deu para o que faz na sua área?

Francamente, não me cabe responder. Apenas posso assegurar que procuro agir como cidadão. Nessa medida, para mim, o saber fazer é tão indispensável quanto o fazer saber. 



Portugal é bom terreno para o seu trabalho?


Portugal sofre de melancolia. A elite dominante vê tudo como mercadoria e oportunidade de negócios. Fez caducar a ideia de comunidade, de serviço público. A televisão, no seu conjunto, funciona como dispositivo de propaganda sistémica. Enquanto os comentadores são politicos no activo, os jornalistas fazem o papel do go-between. Enquanto a escola pública é desmantelada, os professores são maltratados. Enquanto as políticas para a cultura cedem lugar ao mero entretenimento, o cinema ou definha ou envereda pelo fácil. Por isso, falar em condições de trabalho neste contexto não faz sentido. Aliás, a Europa, de um modo geral, também sofre de melancolia, uma doença que resulta da resignação e do colapso do pensamento. Faz sentido é construir trincheiras.



Como olha para o futuro em termos profissionais?

Justamente, ocupando trincheiras. Com ideias, pensamento e memória. Sem memória o presente é difuso e o futuro inviável. 


Como converge vida privada e vida profissional?

Estão naturalmente ligadas. Favoreço o princípio do prazer. Como dizia o outro, quem corre por gosto não cansa. E outro ainda: é tudo a mesma luta.



Neste momento trabalho em dois novos documentários. Um é uma crónica de família que tem como protagonista o meu tio Carlos Costa, agora com 85 anos. O meu tio é militante comunista desde os 15 anos, conheceu todas as prisões do país e, antes da democracia, quando não estava na cadeia estava na clandestinidade. Mas este filme não é um panegírico. Nem ele nem eu temos feitio para isso. Fala-se de política, como é evidente, mas também do carácter das pessoas, de ética e memória, de conquistas e desilusões, de História e afectos. O outro documentário é sobre um bom amigo, um grande escritor que muito admiro, Mário Cláudio. Não é uma monografia mas uma viagem à procura de um homem cujo percurso é indissociável da busca de si mesmo. No centro desse percurso está, naturalmente, a literatura. Quanto ao mais, estão para sair textos sobre Vertov, Eisenstein, Leni Riefenstahl e Joris Ivens. E mais uma edição do Ciclo de Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginado (IRI). É a 11ª primeira.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014



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IN CONVERSATION WITH:

Chef Rui Paula

"…magic around the pots."


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Photography by: CINDA MIRANDA (www.cindamiranda.com)  Vienna


Guests: RUI PAULA - Porto * Interview by: LUIZ CARVALHO - Lisbon *

Translation by: RITA BARROS - New York





Where were you born, when and where do you live?

I was born June 3, 1967, in Oporto where I actually live.


When did you decide to go ahead with your vocation?

When I was 26 I opened Cepa Torta, then DOC in 2007 and DOP in 2010. Now I’m waiting anxiously for the opening of Casa de Chá da Boa Nova in Leça da Palmeira, a landmark from our architect, Siza Vieira.



Who influenced you on your vocation?

When it was the time for the grape harvest my grandmother used to cook for more than 60 people and that’s where my love for cooking started. I saw everything she did and the ingredients she used. All this was like magic around the pots.







How do you define your work?

Work that requires a lot of sacrifice, honesty, competence and creativity.


What did you bring new to your field?

I’ve always tried to give to my clients the best possible products, presenting them in a different and surprising way.
I try to be up to date in the new techniques. I believe I am a good example so that other people have the courage to open their own spaces.
Whenever it’s possible I try to praise our own Portuguese products. In short I project a good image of our country through gastronomy.





Is Portugal a good place for your work?

Of course, we have good products mostly fish, the best in the world. We are centrally located: any product I need from other countries arrives quickly therefore we have a good network of suppliers.



How do you look at the future in professional terms?

We are a country with a lot of tourism with a mild climate and friendly people. For these reasons we have a lot of visitors therefore it’s a good place to work. I have no complaints.
I always look at the future in a positive way... like I’ve just mentioned I’m opening Casa de Chá da Boa Nova.





Note: Casa de Chá da Boa Nova, it's already open. 
Congratulations Chef Rui Paula

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Onde nasceu, quando e onde vive?

Nasci no Porto, no dia 3 de Junho de 1967 e vivo no Porto.


Quando decidiu seguir em frente para esta sua vocação?

Aos 26 anos abri o Cepa Torta , seguiu-se o DOC em 2007 e o DOP  em 2010 agora aguardo ansiosamente pela abertura da Casa de Chá da Boa Nova em Leça da Palmeira , edifício histórico do nosso arquitecto Siza Vieira.


Quem o influenciou na sua vocação?

A minha avó cozinhava para mais de 60 pessoas na época das vindimas e foi aí eu começou a nascer o meu gosto pela cozinha, pois via tudo o que ela fazia, e os ingredientes que usava tudo isso para mim era como uma magia que acontecia de volta das panelas.


Como define o seu trabalho?

Trabalho que exige muito espírito de sacrifício, honestidade, competência e criatividade.


Que contributos novos deu para o que faz na sua área?

Procurei sempre dar aos meus clientes o melhor produto possível, apresentando de uma maneira diferente e surpreendente.
Procuro estar sempre actualizado das novas técnicas.Acho que consigo ser um bom exemplo para outras pessoas ganharem coragem de abrir os seus próprios espaços .
Procuro enaltecer sempre que possível os nossos produtos portugueses. Resumindo projecto uma boa imagem do nosso pais através da gastronomia.


Portugal é bom terreno para o seu trabalho?

Claro que sim, temos bons produtos principalmente o peixe, que é o melhor do Mundo.Estamos muito centrais ,qualquer produto que precise de outros país chegam em tempo útil , logo temos queima boa rede de fornecedores.


Como olha para o futuro em termos profissionais?

Somos um pais com bastante turismo com um clima ameno e com pessoas bastante acolhedoras , pois por isso somos visitados por imensos turistas logo é um bom local para trabalhar, não tenho razão de queixa.
Olho sempre para o futuro de uma forma positiva... Tal como referi ainda agora vou abrir a Casa de Chá da Boa Nova.



Nota: A Casa de chá da Boa Nova, já abriu. 
Parabéns Chef Rui Paula