Em 2003 o Polo Museológico da Fundação
Manuel Cargaleiro em Vila Velha de Ródão e em 2004 o Projecto do Complexo
Desportivo para o Sport Club do Porto.
Projectei em 2005 a Casa Fez na Foz do Douro
no Porto.
Fui nomeado para o England International
Wallpaper Awards 2007, com o projecto da Casa Tóló. Também para os Russian
International Architectural Awards (ARCHIP), com o mesmo trabalho do qual fui
vencedor na categoria “Private Houses-Inovation”, tenho sido membro de Júri
deste prémio Internacional, desde então.
Em 2008 projectei O Museu da Agua e O Museu
do Vinho para a Câmara Municipal do Cartaxo.
Tenho sido convidado para inúmeras publicações,
documentários Televisivos e Conferências Internacionais.
Recentemente tenho vindo a desenvolver
outros projectos: o Museu Conventual Fez; um conjunto de Moradias Pré-fabricadas;
bem como novos objectos de design e outras Intervenções plásticas.
Sabemos que sempre se quis autonomizar do ponto de vista profissional do
seu pai. Que caminho escolheu?
O meu próprio caminho apesar de também
exercer Arquitectura.
Na idade juvenil que coincidiu com o sucesso
profissional, reconhecimento Internacional e Publico do meu Pai, quando
estudava no liceu e tive que escolher a área de estudos, exitei, procurei
seguir outros caminhos, mas acabei por me render à profissão onde me sentia
mais apto e à-vontade.
O desenho à mão livre esteve sempre presente
por influência dos meus Pais. Também o meu avô materno tinha um talento inato.
O meu Pai costumava dizer que aprendeu a desenhar com a Tótó, Maria Antonia
Marinho Leite Siza, minha mãe. Tive um percurso de ligação expontânea e forte
ao desenho, desde a infância, onde a expressão de movimento figurativo tem
estado sempre presente, associado a uma influência de modelação que surgiu da
família materna. A construção de módulos em madeira com várias dimensões,
remonta ao tempo dos meus bisavós. Estes elementos eram produzidos através das
gerações na prestigiada fábrica de têxteis da família e eram utilizados
tradicionalmente para elaborar construções miniatura de apoio aos
brinquedos/bonecos/soldados/etc adquiridos pelos mais novos, na família. Era
sempre uma aventura poder desenvolver, casas, castelos, passagens secretas e
outros espaços criativos, sempre diferentes, sempre mais elaborados, sempre
mais tridimensionais, empolgantes e dinâmicos. Desenvolveu-me a visualização no
espaço.
Estagiou com Souto Moura. Qual foi a influência dele
na sua obra?
Dedicação e persistência no trabalho. Aliás
características sempre presentes desde Tavora, na Escola de Arquitectura do
Porto, aliadas a um entusiasmo contagiante manifestado expressivamente por
Siza, que tinha sido seu aluno e mais tarde Professor de Eduardo Souto Moura.
Defende uma arquitectura romântica mas ao mesmo tempo com uma ideia
empresarial. Não é uma contradição?
Apesar de ter tido diversas influências
exteriores durante o período Acadêmico e continuar a sentir-me inspirado por
Obras de Autores de várias épocas, disciplinas e de vários Quadrantes, penso
que não defendo objectivamente uma forma de fazer.
Não sou dogmático, não sigo doutrinas, não me
revejo em tendências. Sou livre e nem sequer me sinto responsável por ser parte
integrante de um meio Cultural específico e de um contexto contemporâneo.
Revejo-me mais na solidão durante as fazes
de concepção criativa, na pesquisa centralizada apartir do interior, no entanto
ao longo do processo de concretização, no trabalho de Arquitectura, surgem
sempre fases de conexão obrigatória com grupos e inúmeras pessoas que envolvem
esta profissão multidisciplinar.
Paradoxalmente, apesar do meu objectivo ser
sempre estabelecer comunicação e compreensão com as pessoas, através duma
aproximação induzida pela mensagem objectivada, confesso gostar menos dos
momentos de compromisso com terceiros, condicionantes e obrigatórios durante o
processo. Na Casa Fez procurei simplificar e sintetizar essa complexidade
circunstancial, tornando me eu próprio, além de Arquitecto, também promotor,
coordenador, fiscal de obra, etc. experiência henriquecedora, para levar a bom
porto a concretização de um sonho e a materialização de mais uma Obra.
Tornar me também empresário resulta mais de
uma necessidade, do que de uma vontade ou de um prazer apaixonante e é
complementar ao trabalho criativo de concepção, que mais me motiva.
O seu projecto Casa Toló, em Ribeira de Pena, Vila Real, foi mesmo
nomeado para o concurso "Wall Paper Awards". Foi aqui o início do seu
reconhecimento internacional?
Já tinha publicado pontualmente um ou outro
trabalho no estrangeiro, mas sem o mesmo impacto. Foi de facto desde a divulgação
da Casa Tolo que o reconhecimento surgiu de além fronteiras e se manifestou
expressivamente, até se tornar premiada por ex com o ARCHIP Internacional
Awards, na Rússia, na categoria de Private Houses-Inovation. Tendo se tornado
em objecto de estudos pedagógicos em meios críticos e Universidades
Internacionais.
A divulgação daquele trabalho surgiu
ocasionalmente e começou com a visita de um repórter da Wall Paper ao meu
Atelier para ver uns objectos de Design de minha Autoria que tinham participado
na Bienal da Prata de Portugal e de Roterdão na Holanda.
Observou atentamente uma maquete da Casa de
ferias e do seu assentoado declive, mostrando se muito interessado em
apresentar à Editora para Publicação. Tudo aconteceu rapidamente em 2005, mas
foi depois de terem excluído as fotos profissionais de Fernando Guerra e
contratado um fotógrafo Japonês para a Publicação da revista que a divulgação
da Casa Tolo explodiu e se apresentou um pouco por todos os meios Arquitectónicos
e não só, de todo o Mundo. Editoras, Universidades, Escolas, etc, pela mão de
Fernando e Sergio Guerra que a apresentaram virtualmente através das suas
fotos, a todos os Quadrantes, depois daqueles acontecimentos anteriores.
Como reage ao saber que os seus trabalhos são agora
objecto de estudo universitário?
Com satisfação.
Nunca esquecer que arquitectar é resolver
problemas. Há que desenhar todos os atributos que lhe conferem qualidade,
Entender a Arquitectura como um todo, coerente, espacial e estrutural, que se
articula entre si e o meio em que se insere, proporcionando se, mas sem
esquecer o detalhe e o requinte da pormenorização.
As condicionantes são geradoras de
criatividade e venham elas de fora ou de dentro influenciam naturalmente o
resultado promovendo o Intelecto como um aspecto ou atributo essencial e
permanente.
A inspiração vem muitas vezes de uma dimensão
para além do espaço e do tempo, e é transversal aos meios de expressão artística.
De que forma vai desenvolver o seu trabalho num país onde a arquitectura
está adiada devido à falta de investimento público e privado?
Através de outras disciplinas e meios de
expressão. O desenho, a pintura, escultura, fotografia, vídeo...
Ver e viver a vida.
Procurar desbloquear trabalhos pendentes.
Concorrer a Concursos Internacionais apesar
de ser céptico, pois sei que sem convite, é raro e difícil ganhar, no meio de
milhares de arquitectos do mundo inteiro e ter oportunidade de construir mais
obras através desta opção. Ficam os projectos e a investigação. Participei
recentemente num que se intitulava: "A House for Pink Floyd", tendo
me classificado com uma Menção Honrosa.
Fale-nos do seu projecto na Foz. Já está concluído (em 2009 não estava)
Iniciei este trabalho em 2004 e terminei no
início de 2005. A obra começou em Fevereiro de 2006 sendo concluída em Julho de
2010.
O projecto da própria casa-atelier, é o
primeiro onde estão presentes figuras, na sua atmosfera, exaltando Obras pra
mim tocantes, personalidades que derivam da História. Aparecem no meio de uma
entrega a um crer para além do que se pretende.
Quando o Moderno está Velho surge um passado
distante na sua expressão mais eloquente. A afirmação de um novo Renascimento
surge agora da fusão entre um rigor geométrico Clássico e uma liberdade
criativa Romântica.
A Casa funciona como laboratório de um
imaginário, que representa as pulsões, ideias, tensões e forças por detrás da
matéria. As histórias e suas emoções que condensa, os simbolismos que
representa. As figuras e relações humanas.
Neste projecto, nascido do desenho livre da
figura de um arlequim – a rir-se de problemas, de conflitos, de desencontros,
de dificuldades de comunicação, entre outros dramas também envolvidos nesta
actividade - que se transforma numa abstracção geométrica, onde não há lugar a
caixilharias ou vidros, ensaio um novo Renascer. Espaços de transição, os pórticos,
a luz, candeeiros, puxadores, portas, corrimãos, pinturas e o mobiliário
desenhados por mim, mas também outros do século XIX (peças intemporais) que
vieram da família e que no contexto tão bem se enquadram, entre outros
elementos, complementam a criação de ambientes que exaltam Mozart, Leonardo da
Vinci, Miguel Ângelo, e tantas outras figuras e obras de Arte tocantes, não se
limitando à atmosfera de um imaginário exclusivamente arquitectónico.
A concretização deste ideal começou há 12
anos, com a aquisição de um terreno sem acesso à rua e por isso financeiramente
mais favorável. Nos 6 anos seguintes procurei encontrar uma ligação que
tornasse tudo isto exequível. Tive a sorte de o promotor de um dos terrenos ser
um familiar da minha mãe acabando por mo vender. Fui forçado a comprar outro
lote confinante, para viabilizar o negócio, que revendi com projecto pessoal
aprovado transformando um aparente problema numa vantagem.
Durante a necessária operação de
emparcelamento dos terrenos, surge o projecto, resultante de um discurso de
intenções paradoxais.
Casa/Atelier; Espaço Interior/Espaço
Exterior; Espaço Social/Espaço Cultural; Privado/Público; Lazer/Trabalho.
As suas volumetrias organizam-se por secções
verticais e horizontais. Um programa constituído por um atelier junto à rua,
garagens e zonas de serviços funcionando como charneira, e finalmente a casa
relacionada com o jardim. Um piso subterrâneo correspondente às fundações,
outro térreo em granito, correspondente aos espaços públicos e sociais e ainda
o piso superior. Se por um lado o piso térreo se exprime de dentro para fora,
da intimidade para o exterior numa manifestação explosiva, criando as necessárias
aberturas, os pórticos de transição e os respectivos lanternins de luz natural;
por outro lado, o piso superior implode. A agressão do meio exterior cria
simbolicamente tensões, pressões que se reconhecem de fora para dentro,
reduzindo a sua volumetria, dando origem a uma imagem figurativa. Através de
uma abstracção geométrica rigorosa para possibilitar o sistema construtivo,
constituída por losangos associados em diferentes ângulos, que lhe conferem
maior tridimensionalidade, encontrei a proporção que pretendia, a
horizontalidade desejada, a orientação previamente definida, a direcção
objectivada e determinada. O simbolismo da figura que sublima a opressão de um
sistema.
Fala com o seu pai sobre arquitectura?
Raramente. Cada vez
menos
Embora se demarque da obra do pai de que forma ele o
inspirou.
Para além do exemplo dos valores de
lealdade, integridade, honestidade, seriedade, a seguirmos sempre a nossa essência.
Procurarmos estabelecer uma comunicação autêntica com os outros através da
mensagem inerente a um trabalho pensado e sentido.
Apesar da construção coerente e da
concretização de um processo que se esgota e consuma numa obra isolada, através
do desenho, da modelação e do pensamento, a noção de que nada é definitivo, a
consciência de que se pode e deve ir sempre mais longe, a visão da profissão
como um todo constituído por um percurso, dinâmico que nunca se esgota e que
envolve todos os trabalhos aparentemente isolados. O somatório das diferentes
experiências associadas às distintas circunstâncias interiores e exteriores que
nos vão acompanhando ao longo do tempo.